quarta-feira, 16 de novembro de 2016

ÁGUA

Caio dos céus
até virar as marés
eu vou virando emoções.
Vivo a fluir,
não tenho  forma nem cor
eu vou pra onde eu vim, meu amor.
Se me detém
eu sempre posso fugir
jorrando aos borbotões.
Sei dos confins
de tanta terra e raiz
que eu molhei e amei por aí,
do limo ao ipê.
Sou eu que uno os secos,
umedeço os seres,
desço aos lodaçais.
Misturo corpos, almas,
ergo os medos
ao prazer dos imortais.
No êxtase dos místicos,
nos líquidos dos sexos,
fluxo e refluxo, suor.
Todo parto é solidão,
lágrima d’Oxum,
gota a gota,
rio a rio,
é tão doce esse sal.
Ai de mim
carrego tanta dor
a dor dos ancestrais.
Só no fim meus filhos terão paz
assim tão lindos no ventre da mãe.
Odò Iyá
brincar de renascer,
flutuam no ar outra vez,
até se tornarem essa luz...
clarão de outra mãe que faz chover.


Do fogo nascer.
https://www.youtube.com/watch?v=p9UJjW4IpRA

Um comentário:

  1. O poema é lindo, e essa disposiçāo dos versos maravilhosa.
    Sereia? Peixe? Esse ser das águas, origem da vida.
    Lindo, Ana Terra. Parabéns

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