terça-feira, 25 de agosto de 2015

Para Ana Terra por André Bolívar

"Eu já conhecia a letrista Ana Terra,o que eu não conhecia era a contista, a pessoa maravilhosa, o ser humano enorme que irradia luz por onde pisa, que acende a chama nas palavras que escreve.

Hoje,tenho o prazer de conhecer a Ana Terra que entra em uma personagem e veste a sua roupa leve ou então a sua armadura pesada caminhando no deserto; o prazer de ler seus contos e se não soubesse que foi ELA quem escreveu, desacreditaria que uma pessoa que escreveu Essa Mulher, desmonte a minha cabeça criando e vivendo um personagem masculino, denso, sofrido, duro, cheio de pensamentos retos e sem rodeios, porém seguros.

Leio seus poemas, suas letras, seus contos, suas crônicas, como quem morde uma maçã olhando pela janela.
Sempre muda o gosto da fruta, pois muda sempre a paisagem, mudando o que se passa no nosso interior, conforme avançamos na leitura, ou entramos em alguma das centenas de suas letras musicadas.

Ana Terra, maior honra poder te chamar de amiga!
Minha amiga, amiga das Artes, amiga do Brasil, amiga do Mundo.
um ser humano " poeta em tempo integral".

agosto/2015

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Para Ana Terra por Marisa Déa


"Falar sobre Ana Terra é um granda desafio.
Há cerca de dois anos, por um feliz acaso, fui apresentada a essa grande letrista, que conhecia há 40 anos, através de suas canções, que se tornaram referência na Música Popular Brasileira.
Isso deu-me a oportunidade de conhecer, além da poeta, a autora de composições em prosa de beleza ímpar, nas quais Ana Terra despe-se para revelar ao leitor seus mais íntimos anseios e emoções.
Valendo-se de uma linguagem coloquial, a autora refere seus sentimentos e sonhos, acontecimentos de sua vida pessoal; expressa suas convicções políticas e sociais, sua preocupação com a arte e a situação do artista em nossa realidade.
Os textos de FRAGMENTOS DE MIM e MEU BEM, que estão presentes no DVD a ser lançado, são um belo exemplo dessa sua forma de expressão.
Dessa conversa ao pé do ouvido, como a da mulher traída que, ainda assim, prepara com o maior desvelo o feijão para seu homem e, num repente, revela o sentimento que tem qualquer mulher em semelhante situação ao exclamar - para nos salvar - "amanhã boto vidro moído" ( POESIAS "Arroz com Feijão").
De uma estrutura linguística, nitidamente oral, Ana Terra salta para estruturas requintadas, onde a linguagem ganha enorme riqueza conotativa, carrega-se de imagens e metáforas, adquire movimento e cor.
Um exemplo disso está em FRAGMENTOS DE MIM I, onde a autora nos revela a fonte de sua arte: "Por isso vivi sempre entre mergulhos em águas profundas para salvar peixes e saltos mortais para alcançar palavras soltas". Ou ainda em FRAGMENTOS DE MIM II: "( e eu lia) ...emoções que são mais fáceis de ler porque estão escritas no corpo, difícil embaralhar palavras no peito, nos olhos, na aura, então, impossível" ...
Valendo-se de uma linguagem que traduz emoção e necessidade premente, cria um texto que deveria constar de compêndios de Teoria da Literatura. Em SER ARTISTA fala da necessidade absoluta que tem o artista de criar, de arrancar de dentro de si a obra, como um filho tem que sair do ventre da mãe.
Assim é Ana Terra, criadora, mãe, avó, mulher, que coloca a paixão em cada ato de vida.
Assim é Ana Terra, letrista, escritora, amiga, irmã."


segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Para Ana Terra por Sergio Ricardo

"Falar do talento de Ana Terra é chover no molhado. Como todos sabemos sua poesia que impregna as canções de beleza e sentimento são na sua totalidade um tesouro da MPB. Prefiro falar da pessoa e a missão que cumpre com dignidade e paixão. É uma das poucas que teimam e se empenham entregando-se de coração na árdua tarefa de tirar nossa música popular do abismo cavado pela mídia, pelo descaso dos aproveitadores e oportunistas que fazem de nosso destino cultural uma máscara cravejada de falsos brilhantes no rosto de certos valores, que proposital ou ingenuamente aceitam atuar no espetáculo de circo armado nas periferias do descaso. Incansável, ela encara todas as propostas que lhe são apresentadas no sentido de combater esta moléstia, não com sedativos usuais de apoio simplesmente, mas com a garra de uma guerreira autêntica, pondo-se à disposição de corpo e alma, quando não é ela mesma quem articula uma ação neste sentido, surpreendendo a todos pela competência e criatividade, tentando vencer os obstáculos com incansável tenacidade. Tenho visto de perto suas articulações e me espantado com sua calorosa persistência, como se a cada obstáculo, dos infinitos que se nos apresentam, o seu enfrentamento como se fosse pela primeira vez. Sua importância na luta de nossa classe é indispensável e repleta de informações e estratégias. De minha parte, sempre queimei meus incensos por ela. Um dia chegaremos lá. Com ela."
Beijo
     Agosto /2015

domingo, 9 de agosto de 2015

MEU PAI

Que o dia dos pais é uma data comercial sem nenhum significado simbólico, isso foi uma das coisas que aprendi com meu pai. Meu pai me ensinou muitas coisas mas a mais presente é que ninguém treina sofrimento para o dia que tiver que sofrer já saber como é. Ninguém tem que acordar cedo porque quem sabe, um dia terá que fazê-lo. Ou não comer filé mingnon porque não poderá todos os dias. Ou não gastar todo seu dinheiro na viagem dos sonhos porque pode precisar para uma emergência. Meu pai nunca nos treinou para os acidentes da vida, as dores, as perdas, as tristezas, a solidão. Nunca fez nenhum comentário sobre meus casamentos e separações me dando abrigo sempre que precisei, e um bom uísque nas inúmeras festas em sua casa mas também nos dias comuns. E me apresentando orgulhoso aos amigos: ela é compositora! 

Lembro que a primeira coisa que construiu em sua casa em Niterói foi a piscina:-sabe filha, se não fizer primeiro o dinheiro vai acabar e não teremos piscina. Que ele tão pouco usava mas sempre manteve com água cristalina. Nessas águas até hoje seus 6 filhos, 18 netos e 18 bisnetos deixam felicidade. Hoje ele tem pouca memória recente, então nossas conversas são sobre as férias da infância na casa de meu bisavô em Paquetá, os passeios de barco e pesca submarina em Angra dos Reis quando lá moramos porque como oficial de Marinha era instrutor no Colégio Naval, suas lembranças dos pais, avós e irmãos. 

Um dia postei essa foto do meu neto brincando com ele, e meu tio Eurico lembrou-se dessa obra de Michelangelo, a Criação de Adão na Capela Sistina. Achei bonita essa comparação. Meu pai é ateu mas nos treinou para a criação, prazer, respeito, dignidade. Que bom que não nos treinou para o sofrimento, porque quando ele vem, a gente sofre e pronto. Mas passa.