Mostrando postagens com marcador Letras e Poesia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Letras e Poesia. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 1 de abril de 2015

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

DE PERTO

O abraço forma um pequeno arco
quando alguém amado entra nesse espaço 
cada beijo dado tem o seu formato
e jamais será  igual  o mesmo ato

O que emana  tem a perfeição exata
numa configuração que sempre é única 
cada criação carrega sua aura
e por ser humana não será da máquina 

Quero ir só onde minha voz me leve
e a corda, o sopro, a percussão alcance
nada amplificando o som desse momento 
onde cada um nos ouça mais de perto

para cada artista ter a sua parte
para cada instante ter a sua graça 
que o meu sustento venha dessa arte
um teatro grego que eu sempre carregue 
                                          Ana Terra / 28 jan 2015


  

sábado, 31 de janeiro de 2015

ARROZ COM FEIJÃO


Eu tava quieta no meu canto
pensando
...existe uma inteligência superior fora do homem...
aí tocou o telefone
e era ela
com aquela voz de galinha garnisé
-fulano está?
eu me controlando
-não, quer deixar recado?
-não, eu ligo outra hora
aí eu não aguentei
-galinha não tem nome mesmo!
bati o telefone
Ele chegou do trabalho
-alguém ligou, bem?
-gente?
-claro, tá doida?
-não, gente não ligou não
e fui aos meus cuidados
descasquei o alho
soquei com sal
lavei bem lavadinho o arroz
fritei bem fritinho o bife
temperei bem temperadinho o feijão
e nem lembro o que mais
ele encheu o prato
comeu sem falar nada
deve estar pensando nela
me arrependi dos temperos
amanhã boto vidro moído


quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

INSÔNIA 2

Ai meu Deus
Por que não tenho
Um infarte fulminante
No meio dessa madrugada que dói
De esperar ele despontar
Disfarçando cheiros e chopes
“o papo tava tão bom que perdi a hora...”
eu fingindo que cochilo e
não ligo, ou melhor:
“você podia ter avisado
que não bateu o carro,
não foi preso nem assaltado”
meio envergonhada
meio dividida
de ter passado a noite inteira
preferindo desastre e viuvez
a meu homem com outra mulher



terça-feira, 13 de janeiro de 2015

FELICIDADE

Não se trata de sempre
De nunca
Simplesmente prevista
Pra todos mortais
Às vezes de tocaia no escuro silêncio
Às vezes claramente na praia
Avisada por anônimas cartas
Ameaças
De costas
No limite da mira
Telescópica
De frente
À queima-roupa
Aqui
Nas planícies
Planaltos pirâmides
Mangues asfaltos ares
Condicionados
Desertos
Mas se você se esquiva abaixa reage delira tem tempo
Pra pensar
Você escapa
Ileso leso furado traumatizado aleijado morto
Mas se ela te atinge
Com um único estampido meio seco
No meio
Bem no meio do seu besta coração
Ai meu Deus do céu
Foi menos por competência do pistoleiro profissional
Que por tua vocação
Ao peito aberto
Olhar nas nuvens
E alvo maior que o normal

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Última declaração

Gosto de seu jeito meio água meio fogo 
Iniciando em mim um novo gosto
Bastando nunca em mim seu corpo
Reinando onde habita a terra, o gozo
Além do espiritual conforto
Nas horas que o movimento é repouso

Habita em você um continente 
Em idiomas que não conheço 
Letras desenhadas, som medieval
Alaúde tocando em minha alma
Yin-Yang, tempestade e calma
Em nossa afinidade natural:
Linda amizade, amor total.
Foto: LC Varella 


terça-feira, 9 de dezembro de 2014

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Duende

É bom assim sentir essa saudade
que me ilumina ao pensar em ti
como teu fogo nunca se apagasse
e mesmo distante estivesse aqui

É bom assim sentir esse teu cheiro 
no lençol da cama que em mim vesti
então teu corpo no meu permanece 
e só teu perfume me fará dormir

e repousar da tua pele quente
que ao tocar na minha até a alma sente
como se em mim passasse a residir
esse duende Lorca que já mora em ti

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

VIRÁ


Virá o momento em que terei dúvidas 
mas elas serão apenas pássaros voando 
e eu o ar
atravessado por flechas que não me ferem mais
cumprem seu destino
de movimento e repouso

sábado, 2 de agosto de 2014

QUERIA

   Queria ser assim uma alma iluminada
   dessas que não pedem nada
   com minha mão aberta
   e minha humanidade
   prevalecendo sobre minha fera
   Então te amaria incondicionalmente 
   mas meu analista me disse
   que isso não existe
   sempre há condições para amar  
   e eu querendo o absoluto
   fé coragem amor mas não há 

  Queria ser assim uma alma iluminada
  não me doeria nada
  mas eu sei o quanto minto
  meu corpo é puro instinto 
  e mesmo afogando na tua palavra
  não negocia e ainda assim
  quer o teu só pra mim

   Ana Terra/2014


quinta-feira, 17 de julho de 2014

PAGA

Você não me deve nada
de que espécie eu seria
se meu amor tivesse paga
com que olhos dormiria

o sonho de ser sua amada
que espécie de coração 
no meu peito bateria 
se antes não tinha nada
nada de nada eu sentia
e agora até minha mão 
por você  é que se guia
de noite e durante o dia

Não se culpe, não duvida
antes em mim nada havia
você hoje é minha vida
com dor, mas também alegria 

                              Ana Terra/2014 



domingo, 13 de julho de 2014

NÃO VIVO

Onde andará o Senhor, meu senhor, que te fez me achar
Nem que eu grite arrebente eu já sei não me ouvirá 
Me abandonou no instante em que Dele me apartei 
Para seguir tua voz e cumprir o que mandarás
Me afogar em tua boca teu dorso e beijar teus pés 
E te adorar feito louca e amar como nunca amei
Eu já não vivo por mim só respiro se for teu ar 
Esse Senhor, meu senhor, fez a mim por me desejar
E me criou no avesso do espelho em que vais me olhar
Mas esqueceu de criar o caminho de retornar
Se me salvar de mim mesma só Ele saberá 
se por piedade ou pavor o Seu trono te cederá.           

                                           Ana Terra/2014

sábado, 12 de julho de 2014

GOSTO

Gosto das palavras da língua 
Que me lambem como labaredas
E líquidas não água mas gasolina 
Me encharcam sem tirar a roupa
E antes de calar tua boca me alicia
Para uma eternidade sem retorno 
A vida concentrada no minuto
Em que um morrerá dentro do outro

                                                             AnaTerra/2014

NÓS

Nós dois somos feitos do mesmo barro
Mesma água a esparramar dos olhos
Mesmo fogo a transbordar dos poros
E a loucura mansa dos poetas
Nenhuma rede a nos amparar
Nos vôos ou nas quedas
Apenas um brilho a mais no olhar
Refletido das estrelas
Mas queima envergonha afasta
Quem poderia nos amar

                            Ana Terra / 2014

quarta-feira, 2 de julho de 2014

SERÁ POESIA

será poesia
me consumir em dores?
não quero a poesia
e seu discurso
quero o universo
e sua descoberta
que é infinito
em espaço e tempo
conviver com essa simplicidade:
não existem criador
princípio e fim
a velocidade da luz
é variável
o homem viajará pelas galáxias
terá acesso a grandezas
que o libertarão
de jugos e tristezas
deus diabo
e seus sinônimos